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sábado, 24 de janeiro de 2015

Eterno problema

O Terminal Guadalupe, na região central de Curitiba, possui o maior número de linhas que ligam a cidade à Região Metropolitana. De acordo com a Urbanização de Curitiba (Urbs), 50 linhas passam pelo local, sendo 39 metropolitanas, e circulam diariamente cerca de 70 mil passageiros. E quem usa o terminal sofre com a falta de segurança.
terminal_guadalupe_01Uso de drogas, prostituição e pequenos furtos são recorrentes e tiram a tranquilidade dos comerciantes e dos usuários do terminal. É o caso de Moacir Gonçalves dos Santos Filho, 45 anos, que mora em Pinhais e trabalha no centro de Curitiba. Ele utiliza o Guadalupe há 14 anos e conta que o terminal já esteve pior, mas ainda está longe de estar bom. “Eu não ando tranquilo por aqui, especialmente nos arredores da estação. Tem muita gente usando drogas e mulheres se prostituindo. Minha sobrinha já foi assaltada e já até mudou o lugar onde pega ônibus, porque está com medo de andar por aqui”, relata Moacir.
O posto da Polícia Militar que ficava no terminal foi desativado em 2010 e, para tentar minimizar a falta de segurança, a Urbs se responsabilizou pelo apoio da Guarda Municipal e de uma empresa de vigilância terceirizada, além da instalação de oito câmeras de vigilância 24 horas. Mas nem mesmo as câmeras são suficientes para resolver os problemas.
Câmeras
“As câmeras de monitoramento tinham o objetivo de coibir o tráfico, mas elas não resolvem nada. Existe uma casa onde deveria ter alguém monitorando as imagens, mas ela está fechada e sem ninguém”, explica o comerciante Aurélio Siu Hang, proprietário da lanchonete 24 horas dentro do Guadalupe há 26 anos.
De acordo com a Urbs, atualmente as imagens das câmeras são gravadas, recolhidas e analisadas pela empresa responsável pelo monitoramento remoto. Outra medida são as 12 câmeras instaladas nos ônibus e estações tubos para monitorar especificamente o transporte coletivo. A transmissão é feita em tempo real e ajuda a fiscalizar situações de irregularidade.
Central de monitoramento das câmeras está sempre fechada e vazia. (Felipe Rosa)
Central de monitoramento das câmeras está sempre fechada e vazia. (Felipe Rosa)
Policiamento
Há cerca de um ano e meio já foi enviado um comunicado às Polícias Federal, Militar e Civil sobre a insegurança no Guadalupe, por isso a Urbs espera que os responsáveis pela segurança pública do Estado também adotem as medidas necessárias. Em nota, a Polícia Militar afirmou que o policiamento que compete à entidade nas proximidades do terminal está sendo realizado diariamente e também dentro de operações especiais desencadeadas pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope). “Eu nunca fui assaltado, mas eu não trabalho tranquilo. O módulo móvel da PM só aparece de vez em quando. Estou aqui há 26 anos e a gente vê muito absurdo”, relata Aurélio.
Outro comerciante antigo é José Machado, de 58 anos, que trabalha há mais de 15 anos no terminal. “Moro em Colombo e venho para cá trabalhar todos os dias de ônibus. Falta muita segurança, sim. Dentro e fora do terminal e a polícia só vem de vez em quando. Me roubaram 15 guarda-chuvas há duas semanas aqui dentro do Guadalupe”, conta José, que vende diversos brinquedos, chaveiros e outros produtos.
Segundo comerciantes, módulo móvel só aparece de vez em quando. (Felipe Rosa)
Segundo comerciantes, módulo móvel só aparece de vez em quando. (Felipe Rosa)
Melhorias não saíram do papel
No final de 2013, a prefeitura de Curitiba anunciou inúmeras reformas no Terminal Guadalupe e em seu entorno, mas poucas delas efetivamente saíram do papel. A previsão era que as obras iniciassem após o fim da reforma da rodoferroviária. O que foi feito até agora foram pequenas mudanças estruturais, como a reforma dos banheiros e a instalação de sinais eletrônicos nos pontos de ônibus. “O terminal está bonito, mas o problema maior continua”, reclama Moacir.
Para atender à crescente demanda de usuários está previsto um novo projeto de requalificação, mas o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) ainda está buscando recursos através do governo federal. As obras previstas para o Terminal Guadalupe fazem parte do Plano de Mobilidade de Alta e Média Capacidade de Curitiba e estão projetadas em R$ 30 milhões com um prazo de conclusão de até um ano e meio.
História
O Terminal do Guadalupe, localizado entre os cruzamentos das ruas João Negrão e André de Barros, foi construído em 1956 e inaugurado em maio de 1958 pelo então prefeito Ney Braga. Durante quase 20 anos, o terminal chegou a abrigar a antiga rodoviária de Curitiba até que, em 1972, a rodoviária foi transferida para a atual localização. De lá para cá, o terminal concentra o maior número de linhas de ônibus que ligam Curitiba à região metropolitana.

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